Brasil, junho de 2013. Insatisfeitos com
o aumento das tarifas e a qualidade dos transportes públicos, o povo saí às
ruas em sinal de protesto.
O
Movimento Passe Livre (MLP), fundado na capital gaúcha, tinha como
reivindicação inicial a tarifa zero a todos os estudantes. Com o passar do
tempo, o grupo foi ganhando força e apoio de outros brasileiros entre os quais
estavam professores, movimentos comunitários, de moradia e de saúde e foi
tomando proporções bem maiores.
Ao contrário do que se pensava, as
reclamações iam muito além dos R$ 0,20 centavos. Descontentes, grande parte das
capitais e algumas cidades do interior foram tomadas por uma multidão que clamava
pelo fim da corrupção, não à PEC 37, ao mau uso do dinheiro público, contra o
projeto de lei apelidado de ‘Cura Gay’, aos gastos abusivos com a construção de
estádios, exigindo construção de escolas e hospitais no padrão FIFA de
qualidade e aumento de salário.
A forte e violenta repressão promovida
pelos policiais civis e militares contribuiu para que a manifestação ganhasse
não só a simpatia como também a adesão de mais brasileiros, que fizeram da
internet uma facilitadora para que o movimento eclodisse também no
exterior.
“As
pessoas já não são mais manipuláveis”
Em entrevista, o Tradutor Juramentado,
Laerte José da Silva, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, que
participou ativamente das manifestações na capital mineira, declarou que “a
força do movimento estava, principalmente, na sua organização devido à sua
regularidade e abrangência nacional, a despeito da violência e repressão
policial, mesmo não havendo um ou mais líderes que se destacassem na multidão.”
Para ele, as redes sociais foram fundamentais para a organização do movimento
que teve como saldo positivo o povo perceber o poder que tem, mas que o
vandalismo e a repressão violenta da polícia destacam-se negativamente.
Lembrou, também, que apesar de a mídia tentar manipular a situação,
desmoralizando o movimento ao focar a barbárie, as pessoas, hoje. Aprenderam a
tirar suas próprias conclusões e já não são mais tão manipuláveis
Objetivando acalmar a nação o aumento das
tarifas foi revogado e várias outras medidas estão sendo votadas, inclusive a
que considera corrupção um crime hediondo e o arquivamento da PEC 37.
Dois meses se passaram e há quem diga que
o “gigante” voltou a dormir; outros, afirmam que muita coisa ainda está por vir.
Independente do que possa acontecer, é preciso perceber que a maior manifestação deve ser realizada nas
urnas com a participação política através do voto e da vigilância e cobrança
contínua diante dos atos dos políticos.
Por: Ana Carolina Dias
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